Eventos diferenciados: de quem é o mérito?
Com o intuito de agregar valor e encantar os clientes, os núcleos de eventos, clubes, raves e festivais procuram se diferenciar. A prática, embora fundamental, não é novidade. São incontáveis os exemplos de noites históricas nos últimos anos em diversas cidades do Brasil com atrações dos mais diversos gêneros musicais: Laurent Garnier, Cut Chemist, Stacey Pullen, Doc Scott, Matthew Herbert Jazz Band, Tony Humphries, Timmy Regisford, Underground Resistance, DJ Pogo, LTJ Bukem são apenas alguns dos nomes que vêm à cabeça quando se trata de lembrar destas tão especiais noites. Mas como foi possível chegar a este patamar? Quem foi o responsável por isso?
Para se ter uma noite diferenciada, são necessários três pré-requisitos: iniciativa, ousadia e busca da informação. Em todas estas noites, estes três fatores estiveram presentes. As pessoas envolvidas tomaram a iniciativa de buscar atrações diferenciadas, acima da média – portanto, foram ousadas, porque procuraram por algo além da obviedade, e para isso, foi necessaria pesquisa musical.
Absolutamente nenhum destes artistas especiais, quer tenham se tornado standards, cult ou memoráveis, escaparam do fantasma da ‘primeira vez’. Explico: Stacey Pullen, Laurent Garnier, Timmy Regisford, Doc Scott, Cut Chemist ou quem quer que seja já foi atração inédita um dia e enfrentou o crivo da primeira apresentação, muitas vezes em situações em que a receptividade era uma incógnita. E antes que alguns se levantem em favor das ‘tendências internacionais’ e de bandeiras como ‘minimal’, ‘electro-house’ ou ‘maximal’, é necessário lembrar que a gama destes eventos diferenciados abrange um número considerável de gêneros musicais que não necessariamente obedece a essas ‘tendências’ vindas de fora. É necessário lembrar também que a quantidade de pessoas que realmente possui babagem musical sólida o suficiente é bem pequena, e que portanto a grande maioria não faz a menor idéia do que significa cada um destes rótulos e tendências.
Para a maioria, são apenas termos impressionáveis, portanto, assim como algum dia alguém resolveu trazer Dorfmeister independente do que as ‘tendências’ diziam, o mesmo vale para dezenas de outros casos, a exemplo do live do Underground Resistance em um período em que imperam o maximal e o minimal, vertentes musicais bem diferentes daquela proposta nas obras do UR. E assim por diante, sao infinitos os exemplos.
A questão é: quem decide afinal? O promoter muito bem informado que sugere ao dono do evento ou do clube? Ou a direção dos mesmos? Ou será que parte do agente que tem a iniciativa de sugerir nomes diferentes para uma determinada tour? Ou seria o público final que pede pelo produto? Ou o artista que resolve entrar em contato com alguém daqui? Quem é a peça fundamental nesta engrenagem?
A resposta é simples: quem decide é você, independente de qual funçao você ocupa. Desde que você se envolva, tenha iniciativa para pesquisar, buscar a informação e a ousadia de sugerir nomes, você poderá ser decisivo na escolha. É certo que muitas vezes você não terá êxito, mas se realmente for do seu interesse, terá grandes chances de conseguir ver o seu sonho de poder ouvir as suas atrações prediletas se tornar realidade – pelo menos em alguns casos. Isso independente do que você faz.
Se você for um ouvinte pertencente ao público final, poderá se tornar alguém influente a ponto de ser responsável pela vinda de alguma atração diferenciada. Afinal, se você paga para entrar no evento, é você quem faz a engrenagem do showbiz girar, e se você pesquisa, terá dois motivos para ser respeitado por quem produz e promove os eventos. Casos assim já aconteceram várias vezes. Muitos dos nomes que se apresentaram em lugares como Lov.e, D-Edge, Vegas, entre tantos outros clubes e eventos, partiram de sugestões do público frequentador. Mas será que é só o público que tem o poder de decidir?
Se você for um promoter ou um produtor de eventos, você também tem um grande poder nas mãos. O público frequentador dos teus eventos prestará atenção especial no que você diz e no que faz, portanto, você tem todo interesse em pesquisar e sugerir atrações diferenciadas. E quanto mais você pesquisar, mais poderá sugerir nomes interessantes e convencer a equipe de produtores e donos de clubes a respeito, o que mostra a importância que tem a sua participação. Lembrar de grandes promoters e das suas contribuições neste sentido não é nada difícil, o que prova a veracidade do raciocínio.
Por outro lado, você pode estar do outro lado da cadeia e ser um agente, booker ou artist manager. Se você acha que é refém da opinião formada e das tendências, está totalmente enganado. Todas as novidades em termos de repertório e de proposta musical tiveram participação fundamental de um agente no processo. Muitas vezes, este agente sugeriu algo que a primeira vista parecia totalmente improvável. Várias das atrações especiais que você viu na sua vida só foram possíveis graças às ações e iniciativas dos agentes, ao contrário do que os prognósticos, mídias e tendências apontavam. Portanto, o agente bem informado, ousado e dono de iniciativa própria também tem plenos poderes, assim como as outras partes.
A pior coisa que você pode fazer neste caso, independente de qual seja a sua função, é não acreditar. Muitas oportunidades se perdem porque as pessoas subestimam a sua própria capacidade de influênciar e contribuir. Já outras, sabendo que não é impossível, vão lá e fazem acontecer. Quem tem o mérito de tornar possíveis estes eventos diferenciados então? Quem tem o mérito é você. É só lutar por ele. Mas antes disso, é necessário deixar de lado o pessimismo e acreditar que é possível……………….

September 10, 2008 at 3:55 pm
É possível sim!
November 5, 2008 at 12:46 pm
ngm quer apostar no novo pq eventos diferenciados são caros : /
January 8, 2009 at 10:03 pm
bom desenvolvimento de ideias, realmente os fatos estao ai para mostrar que foi e ainda e possivel .
abs, z